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Jovem chega na Apple Store e trava a seguinte conversa com o vendedor:
— Moço, quanto está o iPod?
— Cinco mil reais
— Hein?!
— É, cinco mil reais.
— Nossa, está muito caro!
— Mas ele vem com 10G de música brasileira. O preço dele é R$800,00 e dos direitos autorais das canções é R$3200,00
— Ah é? E o que vem nele de música?
— Tem Chico Buarque, Mano Brown, MV Bill, Planet Hemp, … São canções escolhidas de uma lista preparada por uns burocratas do que eles consideram “música qualificada”
— Nossa, mas eu não gosto de nada disso. Acho até Velhas Virgens mais qualificado do que isso! Eu quero o iPod sem as músicas, compro no iTunes!
— Xi, não dá. Somos obrigados a vender com o bundle de música brasileira.
— Por quê?
— O PL 42/2012 estipula que todos os tocadores digitais de música venham com 5% da sua capacidade preenchido com música brasileira.
— Que projeto absurdo, como isso foi aprovado?
— Ah, aí não sei. Mas teve apoio de várias associações e sindicatos.
— Mas isso é um absurdo, eu quero escutar o que eu quero! Não o que o governo impõe!
— Bom, eles dizem que você pode optar por colocar outras canções e não escutar o que vêm, então não fere sua liberdade.
— Claro que fere! Eu não quero pagar pelo que eu não quero ouvir. Nem ter isso ocupando o espaço. Mas posso apagar, não?
— Não. Aliás, em determinados horários do dia, você tem que ouvir dessas canções pelo menos meia hora…
— Ah, vai. Tá me zoando, né? Errei o calendário, só pode ser, e é primeiro de abril.
— Não, hoje é 31 de março mesmo! — sorri meio amarelo o vendedor.
— Bom, mas depois eu posso comprar o que eu quiser no iTunes, né?
— Pode, pode sim — agora sorri com mais entusiasmo — mas para cada 5 canções compradas, uma tem que ser brasileira.
— Ok, ok. Agora — enfático — você está me zoando — e esboça um leve sorriso.
— Não, é isso mesmo.
Cabisbaixo, o jovem liga para um amigo:
— Zé, traz pra mim um iPod do Paraguai?
“Seu exagerado”
Acha mesmo?
O PL 29 acaba de ser aprovado na câmara dos deputados. Segundo o capítulo quinto do projeto, as empresas terão cotas de programas brasileiros qualificados (essa “qualificação” é definida por burocratas) obrigatórias a ser apresentadas em horário nobre numa média de meia hora por dia. Vai lá e lê!
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