O dia mundial sem carro é irreal para a maior parte das pessoas.
Você mora em Guaianazes e trabalha em Interlagos, juntou um
dinheirinho e comprou um Uno 91, assim você demora 2 horas e não 3
para chegar no trabalho, assim, sua jornada diária é de 12 horas e não
de 14. Está feliz que hoje não é dia de rodízio, e ainda vai prestar
atenção no "Dia Mundial Sem Carro"?
Se você é um "burguesinho" que mora na região central, perto de metrô,
ainda rola. Mas, se você trabalha na Marginal Pinheiros, duvido que
você vá querer pegar trem (ou, pior ainda, ônibus) pra ir pra lá. Mas
ainda é uma situação aceitável. O dia mundial sem carro é muito
confortável pra quem tem dinheiro. E só. É gente rica de nariz
empinado querendo "fazer um mundo melhor".
O dia mundial sem carro é uma piada
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A resposta, portanto, tanto para os ricos quanto para os pobres, está no transporte público de qualidade, que deve(ria) cobrir bem todas as áreas da cidade. Se um "Dia Sem Carro" é uma utopia distante para 100% da população, que ao menos o deixe de ser para o dono do Uno 91, e que ele consiga, via metrô, chegar em Interlagos em menos que as 2h do carro.
Andar de bicicleta no Rio é uma piada! Imagine transportar seu laptop na sua bike, passeando "tranquilamente" na Avenida Brasil...
Dia mundial sem demagogia!
Pax,
Esse caso é claro, mas se o transporte público for muito melhorado, vão inventar outra: dia mundial sem microondas, dia mundial sem chuveiro elétrico (já inventaram o Xixi no banho, argh!).
É palhaçada de quem não tem o que fazer. E acha que pode interferir na vida de quem tem.
Se o cara é pobre, mora longe e tem de se matar pra pagar um carro, que seria o único meio de transporte dele, tem pelo menos três coisas erradas aí: 1) a sociedade (governo) devia prover meios de mobilidade para que todos, independentemente de renda e do lugar onde moram (que normalmente é condicionado à renda); 2) sem esse incentivo, o sujeito tem de resolver sozinho o problema de mobilidade, comprometendo boa parte da própria renda que podia ser usada para outras coisas, as quais melhorariam efetivamente sua qualidade de vida; e 3) muita gente na mesma situação precisa tomar a mesma decisão, o que, além de gerar mais população com renda comprometida irracionalmente, entope as ruas de carros, atrapalhando o transporte público e afastando a solução do problema 1.
Dá pra ver com clareza que a escolha do meio de transporte afeta, e muito, a qualidade de vida das pessoas, e não apenas por causa da poluição e dos congestionamentos. Isso é o óbvio. Atrapalha também no desperdício de espaço e recurso públicos, no orçamento das famílias (especialmente as mais pobres), na perda de tempo produtivo, na qualidade de vida, no estresse, no sistema público de saúde (em média 75% dos atendimentos de traumatologia tem causa em acidentes com automóvel), e por aí vai.
O problema de mobilidade é talvez o que gera mais externalidade e prejudica mais gente nas cidades, e isso não se resolve dando preferência ao automóvel. O exemplo inegável disso é São Paulo. Resolver esse problema com efetividade pode ser a forma mais barata e eficiente de redistribuir recursos como tempo, renda e espaço.
Se o cara é pobre, mora longe e tem de se matar pra pagar um carro, que seria o único meio de transporte dele, tem pelo menos três coisas erradas aí: 1) a sociedade (governo) devia prover meios de mobilidade para que todos, independentemente de renda e do lugar onde moram (que normalmente é condicionado à renda); 2) sem esse incentivo, o sujeito tem de resolver sozinho o problema de mobilidade, comprometendo boa parte da própria renda que podia ser usada para outras coisas, as quais melhorariam efetivamente sua qualidade de vida; e 3) muita gente na mesma situação precisa tomar a mesma decisão, o que, além de gerar mais população com renda comprometida irracionalmente, entope as ruas de carros, atrapalhando o transporte público e afastando a solução do problema 1.
Dá pra ver com clareza que a escolha do meio de transporte afeta, e muito, a qualidade de vida das pessoas, e não apenas por causa da poluição e dos congestionamentos. Isso é o óbvio. Atrapalha também no desperdício de espaço e recurso públicos, no orçamento das famílias (especialmente as mais pobres), na perda de tempo produtivo, na qualidade de vida, no estresse, no sistema público de saúde (em média 75% dos atendimentos de traumatologia tem causa em acidentes com automóvel), e por aí vai.
O problema de mobilidade é talvez o que gera mais externalidade e prejudica mais gente nas cidades, e isso não se resolve dando preferência ao automóvel. O exemplo inegável disso é São Paulo. Resolver esse problema com efetividade pode ser a forma mais barata e eficiente de redistribuir recursos como tempo, renda e espaço.