Depósito de tralhas

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    Dia mundial sem carro?

    O dia mundial sem carro é irreal para a maior parte das pessoas.

    Você mora em Guaianazes e trabalha em Interlagos, juntou um
    dinheirinho e comprou um Uno 91, assim você demora 2 horas e não 3
    para chegar no trabalho, assim, sua jornada diária é de 12 horas e não
    de 14. Está feliz que hoje não é dia de rodízio, e ainda vai prestar
    atenção no "Dia Mundial Sem Carro"?

    Se você é um "burguesinho" que mora na região central, perto de metrô,
    ainda rola. Mas, se você trabalha na Marginal Pinheiros, duvido que
    você vá querer pegar trem (ou, pior ainda, ônibus) pra ir pra lá. Mas
    ainda é uma situação aceitável. O dia mundial sem carro é muito
    confortável pra quem tem dinheiro. E só. É gente rica de nariz
    empinado querendo "fazer um mundo melhor".

    O dia mundial sem carro é uma piada

    • 22 September 2009
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    Comments 7 Comments

    Sep 22, 2009
    Reis said...
    Concordo com o seu comentário, mas em termos; existem pobres que são bem servidos pelo transporte público (ou que serão em breve, como a favela de Heliópolis, que vai ganhar uma estação de metrô no final do ano); analogamente, existem ricos que são pessimamente servidos pelo mesmo (um exemplo, quem mora em um condomínio qualquer ao longo da Raposo Tavares).

    A resposta, portanto, tanto para os ricos quanto para os pobres, está no transporte público de qualidade, que deve(ria) cobrir bem todas as áreas da cidade. Se um "Dia Sem Carro" é uma utopia distante para 100% da população, que ao menos o deixe de ser para o dono do Uno 91, e que ele consiga, via metrô, chegar em Interlagos em menos que as 2h do carro.

    Sep 22, 2009
    Thiago said...
    Melhor política ambiental faz quem expande o Metrô. Querem tirar os carros das ruas? Façam o trem chegar aos recônditos da Baixada Fluminense, reduzam os intervalos, passem trilhos pela Baía de Guanabara. Enquanto isso, deixem o povo que paga em dia seus IPVAs - e é caro! - andar e estacionar em paz.

    Andar de bicicleta no Rio é uma piada! Imagine transportar seu laptop na sua bike, passeando "tranquilamente" na Avenida Brasil...

    Dia mundial sem demagogia!

    Pax,

    Sep 22, 2009
    Luís Guilherme Fernandes Pereira said...
    Reis, eu acho que essas campanhas são péssimas. São gente que tem dinheiro querendo intervir na vida de quem não tem.

    Esse caso é claro, mas se o transporte público for muito melhorado, vão inventar outra: dia mundial sem microondas, dia mundial sem chuveiro elétrico (já inventaram o Xixi no banho, argh!).

    É palhaçada de quem não tem o que fazer. E acha que pode interferir na vida de quem tem.

    Sep 23, 2009
    Reis said...
    Não sei, Hanson... que essas pessoas não tem o que fazer é fato, mas essas campanhas não são totalmente inúteis a partir do momento que elas levem ao debate questões interessantes; a do xixi no banho, por exemplo, mesmo que poucos aderirem a prática, ao menos levantou a (importante) questão do uso racional da água.
    Sep 22, 2011
    Pedro said...
    Bom, o Dia Mundial sem Carro é talvez o único dia mundial de alguma coisa com que concordo. Por paradoxal que seja, não é o dia de deixar o carro na garagem, mas de pensar se você o usa irracionalmente (tanto para você quanto para a cidade inteira).

    Se o cara é pobre, mora longe e tem de se matar pra pagar um carro, que seria o único meio de transporte dele, tem pelo menos três coisas erradas aí: 1) a sociedade (governo) devia prover meios de mobilidade para que todos, independentemente de renda e do lugar onde moram (que normalmente é condicionado à renda); 2) sem esse incentivo, o sujeito tem de resolver sozinho o problema de mobilidade, comprometendo boa parte da própria renda que podia ser usada para outras coisas, as quais melhorariam efetivamente sua qualidade de vida; e 3) muita gente na mesma situação precisa tomar a mesma decisão, o que, além de gerar mais população com renda comprometida irracionalmente, entope as ruas de carros, atrapalhando o transporte público e afastando a solução do problema 1.

    Dá pra ver com clareza que a escolha do meio de transporte afeta, e muito, a qualidade de vida das pessoas, e não apenas por causa da poluição e dos congestionamentos. Isso é o óbvio. Atrapalha também no desperdício de espaço e recurso públicos, no orçamento das famílias (especialmente as mais pobres), na perda de tempo produtivo, na qualidade de vida, no estresse, no sistema público de saúde (em média 75% dos atendimentos de traumatologia tem causa em acidentes com automóvel), e por aí vai.

    O problema de mobilidade é talvez o que gera mais externalidade e prejudica mais gente nas cidades, e isso não se resolve dando preferência ao automóvel. O exemplo inegável disso é São Paulo. Resolver esse problema com efetividade pode ser a forma mais barata e eficiente de redistribuir recursos como tempo, renda e espaço.

    Sep 22, 2011
    Pedro said...
    Bom, o Dia Mundial sem Carro é talvez o único dia mundial de alguma coisa com que concordo. Por paradoxal que seja, não é o dia de deixar o carro na garagem, mas de pensar se você o usa irracionalmente (tanto para você quanto para a cidade inteira).

    Se o cara é pobre, mora longe e tem de se matar pra pagar um carro, que seria o único meio de transporte dele, tem pelo menos três coisas erradas aí: 1) a sociedade (governo) devia prover meios de mobilidade para que todos, independentemente de renda e do lugar onde moram (que normalmente é condicionado à renda); 2) sem esse incentivo, o sujeito tem de resolver sozinho o problema de mobilidade, comprometendo boa parte da própria renda que podia ser usada para outras coisas, as quais melhorariam efetivamente sua qualidade de vida; e 3) muita gente na mesma situação precisa tomar a mesma decisão, o que, além de gerar mais população com renda comprometida irracionalmente, entope as ruas de carros, atrapalhando o transporte público e afastando a solução do problema 1.

    Dá pra ver com clareza que a escolha do meio de transporte afeta, e muito, a qualidade de vida das pessoas, e não apenas por causa da poluição e dos congestionamentos. Isso é o óbvio. Atrapalha também no desperdício de espaço e recurso públicos, no orçamento das famílias (especialmente as mais pobres), na perda de tempo produtivo, na qualidade de vida, no estresse, no sistema público de saúde (em média 75% dos atendimentos de traumatologia tem causa em acidentes com automóvel), e por aí vai.

    O problema de mobilidade é talvez o que gera mais externalidade e prejudica mais gente nas cidades, e isso não se resolve dando preferência ao automóvel. O exemplo inegável disso é São Paulo. Resolver esse problema com efetividade pode ser a forma mais barata e eficiente de redistribuir recursos como tempo, renda e espaço.

    Sep 22, 2011
    Ericka said...
    para mim, não faz diferença nenhuma, não tenho carro mesmo, kkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkkk

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