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Meu Deus, querida esquerda, você já foi mais inteligente.
Sim, eu sou um cara de direita, mas não quero o seu mal. Quero apenas que você defenda suas pautas históricas, ainda que esteja errada aqui e ali, e não apoiar quem vai contra os seus valores, só porque se opõe a uma força, real ou imaginária, de uma imaginada "direita". Ano passado, o presidente de Honduras foi deposto, legalmente. Como ele tinha ficado amiguinho de Chávez (para aprender a virar um ditador manipulando eleições), a esquerda inteira gritou, juntinho, "Soltem Barrabás Zelaya". Acontece que Zelaya era uma espécie de Sarney hondurenho. Não, não estou falando do bigode. Grande proprietário de terras, mandava em diversos lugares, colocava apadrinhados políticos, tinha seus feudos. Tudo que a esquerda sempre rechaçou. Mas bem, Zelaya está falando contra os EUA, então ele só pode estar certo! E foi isso, a esquerda apoiou o Sarney daquelas bandas (depois os petistas "puros" reclamam do que está acontecendo no Maranhão...). Bem, chega 2010 e ocorre uma controversa operação do exército de Israel contra uma flotilha, supostamente de ajuda humanitária (detalhe que flotilha significa "grupo pequeno de navios de guerra"). Vamos ver, e a Flotilha foi financiada e organizada pelo Hamas. O Hamas é misógino -- pelo menos para os padrões ocidentais, é claro; perto da Al Qaeda eles são feministas! As mulheres devem se esconder, devem obedecer. Os homens podem desposar várias. Nunca vi a esquerda defender nada disso, pelo contrário. Mas, bom, todo mundo da esquerda está com eles -- afinal, Israel é direitista e malvado -- então eu estou com eles também! Pouco antes disso, o Dunga defendeu um nacionalismo irracional, se eximindo de condenar a ditadura militar brasileira, durante a escalação da Seleção. Até que reclamaram um pouquinho, mas nada demais. Contudo, quando esse aprendiz de Médici é criticado pela Globo, pronto! Vira um herói. Marx no inferno céu Panteão da Revolução e Dunga na terra. Ele peitou a Globo, essa empresa maldita e reacionária! É isso aí, esquerda! Muito bom! Continue contribuindo desse jeito para um debate público pautado nos princípios éticos!
Comments 1 Comment
Os objetivos maiores do momento -- derrubar o governo contra-revolucionário de Honduras, destruir Israel e controlar a mídia brasileira -- merecem maior foco que o coronelismo de Zelaya, o machismo do Islã e o nacionalismo de Dunga. As campanhas midiáticas da esquerda são planejadas já considerando os prós e contras das alianças de ocasião. Por exemplo, o machismo do Islã é irrelevante porque não afeta a parada gay e o feminismo no Ocidente. Não afeta nem diante da presença dos imigrantes islâmicos, porque eles vivem em guetos e vivem por suas próprias leis, como na Inglaterra.